quinta-feira, 16 de maio de 2013

A consagração de quem aprendeu com a derrota!

            Por dez dias o Chelsea poderá desfrutar da honra de ser o atual Campeão das duas principais competições de clubes da Europa. Isso, enquanto Bayern e Borussia Dortmund não decidirem a Liga dos Campeões, no dia 25, em Wembley. Depois do novo campeão do velho continente ser conhecido, o time londrino será “apenas” detentor da Liga Europa (Uefa Europa League).
            A instituição do milionário russo Roman Abramovich conquistou, nesta quarta-feira, 15 de maio, a Uefa Europa League 2013/2014. A conquista ocorreu na Amsterdã Arena, na Holanda, numa emocionante vitória por 2 a 1 sobre o Benfica. Fernando Torres abriu o placar na etapa complementar, Óscar Cardozo descontou para os portugueses, porém Brenislav Ivanovic anotou o tento do titulo aos 48 minutos, quando o duelo já se encaminhava para a prorrogação.
            A partida foi sensacional. O Benfica foi superior num contexto geral. Mas não adianta criar, sufocar, e não finalizar. Quando finalizou, fez de maneira sofrível. Eram onze brasileiros envolvidos na decisão, e três vestindo azul fizeram a festa. David Luiz, Oscar e Ramires não foram referenciais como de costume, mas têm grande participação na conquista. Principalmente Ramires, o pior deles e talvez do Chelsea em campo, buscou um fôlego no minuto final e arrancou para cavar o escanteio, numa bola quase perdida. Ah, o último pique, ah o escanteio...
            Juan Mata foi até o lado direito de ataque cobrar o tiro de canto. Canhoto, o espanhol desferiu cruzamento como manda o repertório: bola viajante e que aos poucos vai fechando. Enquanto a bola viaja, o tumulto era grande na área. O sérvio Ivanovic, ora zagueiro, ora lateral, inteligentemente se movimentou, livrou-se da marcação, e apareceu fechando no segundo pau. Com sabedoria, cabeceou de olhos abertos no canto oposto, no contrapé de Artur. O arqueiro brasileiro se espichou, mas não pode evitar a conquista londrina.
            Merecedores de maior sorte, quem sabe, os encarnados não acreditavam no que ocorria. Entraram em parafuso. Antes mesmo de o juiz decretar o término da partida, enquanto os rivais comemoravam a bola na rede (para ser mais exato), alguns benfiquistas já choravam no gramado. Era mais uma frustração. A sétima decisão continental perdida consecutivamente. São 51 anos sem um titulo europeu. Pela partida uma injustiça, mas estamos cansados de saber que “a bola pune”.
            Se pelo andar do jogo o revés do Benfica foi injusto, pelo conjunto da obra a conquista dos Blues foi mais do que merecida. O primeiro atual campeão europeu a cair na primeira fase da Liga dos Campeões se reergueu na Liga Europa. Ao contrário de muitos, valorizou a competição. Deu alto glamour a mesma. Fez dela seu alvo principal para o segundo semestre. Às vezes sobrando superioridade, outras aos trancos e barrancos, foi superando as barreiras até chegar a Amsterdã.
Na decisão foi envolvido, mas refinadamente não se apavorou nos momentos sufocantes. Cauteloso e mortal, fez da bola aérea sua arma fatal. Curiosamente, a mesma que há um ano foi o ponto determinante para conquistar a Liga dos Campeões. Da vitória ficou o exemplo, da derrota a lição, e a junção de ambos culminou em mais um ato consagrador.

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