Me parece um tanto quanto paradoxal o Grêmio de hoje reclamar do uso malandro dos gandulas do Internacional ao repôr rapidamente a bola para a cobrança do escanteio. Eu não sou adepto do futebol politicamente correto. Penso que a catimba, usar artimanhas, tudo isso faz parte do futebol. É uma arte. E o Imortal dos anos 90 era profissional ao usar destes subterfúgios.
Era lindo demais ver os chiliques de paulistas e cariocas que vinham ser derrubados no Olímpico do Felipão. Manchetes como “Grêmio não chuta a gol, faz 1 a 0 e classifica” eram recorrentes. Aquela equipe era extremamente competitiva. E os gandulas também eram bem utilizados, quando escondiam a pelota no momento que o resultado favorecesse. Muitos devem estar agora tendo a mesma reação do Luxemburgo, devem estar indignados com esse “ode ao anti-jogo”. Não é isso. A questão é que a malandragem também ganha jogo. Resta ao Grêmio, não espernear, mas sim voltar a fazer.
E para que isso volte a acontecer, o Tricolor precisa ter jogadores cancheiros. Um exemplo clássico é o Cholo Guina praticamente apitando o Gre-Nal depois do 1 a 1. E é preciso atletas que comprem a causa do clube e sintam a paixão do torcedor. O que é a foto do D´Alessandro nas cabines celebrando o título? Sensacional. Enquanto a displicência de Gabriel, Leandro e Marquinhos tiverem espaço no grupo, o Grêmio não voltará a ser vencedor.
O Grêmio tem que ficar em silêncio e procurar as soluções na sua própria história. Quando foi mais brigador, neste ano mesmo, venceu o Inter por 2 a 1 no Beira Rio. E o debate nem é sobre ganhar sempre, isso é impossível. É colocar a alma e o coração na cancha, não aceitar a derrota, suar sangue na busca pelos objetivos. O poder de indignação em um Gre-Nal tem que ser algo quase que primitivo. O Tricolor não pode entregar-se tão facilmente para o maior rival. Quero o VERDADEIRO Grêmio de volta.
Fonte: Eduardo Jenisch Barbosa – Blog Copo e Chuteira



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