sábado, 21 de abril de 2012

Maiores abandonados

          Na hora de decidir os campeonatos regionais, uma legião de jogadores das equipes pequenas não consegue pensar apenas nos jogos. Divide as atenções do hoje com as dúvidas sobre o amanhã. Em um cálculo superficial, dá para dizer que algo em torno de 70% dos jogadores que estão em atividade nos Estaduais vai estar sem emprego antes que o mês de maio chegue. É impossível querer que alguns tenham concentração máxima para ser um entrave, enquanto equipe, aos grandes clubes.
O calendário no pais do futebol é cruel demais. De janeiro a maio, temos um mínimo de 20 campeonatos locais com média de 18 clubes participantes. No total, 360 elencos com cerca de 30 jogadores cada, dando emprego a pelo menos 10.800 atletas em suas primeiras divisões. Quando o Campeonato Brasileiro chega, o número cai drásticamente. Entre as séries A, B e C, atingimos 60 clubes, com grupos de 30 jogadores, que garantem emprego a 1.800 atletas. E os outros 9 mil, pra onde vão? Intala-se um "Deus nos acuda", um clima de desespero.
            Como não são robos cibernéticos, totalmente programáveis, estes seres humanos começam a viver o drama do abandono pelo menos um mês antes de chegarem as fases decisivas das competições caseiras. O homem não consegue ter bom rendimento no trabalho quando está cercado pela incerteza. Idem com o jogador de futebol, que gosta sempre das coisas às claras.
            Em meio ao clima de instabilidade psicológica, alguns deles são "jogados à arena" para enfrentar as feras dos clubes grandes. Os afortunados, donos de calendários completos, salários robustos, condições físicas invejáveis, sonhos realizáveis. Vidas fora de campo tranquilas.
            É a realidade. Dura realidade para os coadjuvantes dos campeonatos estaduais.
Fonte: Artigo escrito por Celso Juarez Roth

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