terça-feira, 13 de março de 2012

A renúncia de Teixeira

Desde o início de fevereiro a carta de renúncia de Ricardo Teixeira já estava pronta. A FIFA não o recebia mais, a presidenta Dilma também não conversava com ele, não havia ambiente para a sua permanência. São tantas denúncias de desvio de dinheiro, enriquecimento ilícito, recebimento de propinas que ultrapassam as fronteiras do Brasil.
Foi uma vitória do futebol brasileiro, mas até que ponto a situação irá se alterar ninguém sabe. Quem assume é José Maria Marin, o vice-presidente mais velho da entidade, ex-deputado da ARENA, vice-governador de Paulo Maluf por São Paulo, tendo assumido o governo paulista e mais recentemente protagonista de um verdadeiro vexame quando embolsou uma medalha na entrega do título ao Corinthians na Taça São Paulo de futebol Junior - O goleiro reserva do time paulista até hoje está esperando a sua medalha embolsada pelo cartola.
Pelo estatuto da CBF, José Maria Marin fica no comando da entidade até abril de 2015, quando terminaria o mandato de Teixeira. Nada o obriga a chamar uma nova eleição.
Curioso que há poucos dias vários dirigentes se juntaram a Teixeira e Andrés Sanchez para acabar com o Clube dos 13 e fortalecer o poder de Ricardo Teixeira. Foi uma manobra que afastou Fábio Koff, liquidou com a ideia da liga dos clubes entregando o comando do futebol nacional por inteiro ao cartola.
O Clube dos 13 surgiu antes de Teixeira, exatamente com o objetivo de uma união dos clubes para que eles assumissem o controle do futebol nacional. Foi com o C.13 que os clubes conquistaram valores antes inimagináveis nas suas negociações com a televisão.
Pois no ano passado, alguns clubes, liderados pelo Corinthians e com o apoio direto do presidente Paulo Odone do Grêmio, trataram de fortalecer Teixeira e afastar Koff. Conseguiram.
Hoje o presidente Odone falou que agora era o momento ideal para a criação da liga dos clubes, ora, só pode ser piada. Acabaram com a entidade que trabalhava pelos clubes, apoiaram um cartola mergulhado em corrupção contra Fábio Koff e agora vão falar em criar uma liga? Mas que história é essa? Cabia uma autocritica neste momento, ou será que ninguém se lembra do que foi feito no ano passado?
Fico imaginando a cara dos presidentes que trabalharam pelo fim do Clube dos 13 fortalecendo Teixeira e Andrés Sanchez, o que vão explicar para seus torcedores agora?
O mais difícil de explicar é como o Grêmio virou às costas para Koff para apoiar alguém como Teixeira? Falar agora em criar a Liga dos Clubes é uma piada, desmancharam a entidade que dirigia os clubes, hoje não existe nenhuma ideia de união, é cada um por si.
Resta apenas aguardar, José Maria Marin tem dois grandes ídolos, Paulo Maluf e Ricardo Teixeira, não há muito que esperar em termos de mudança para melhor no futebol brasileiro, mas sempre há espaço para surpresas positivas, quem sabe?
Fonte: Artigo escrito por Nando Gross

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