terça-feira, 20 de março de 2012

Coração de Cristal

O futebol pelo Brasil no final de semana foi demais. Bons jogos, goleadas, gols bonitos. Alegria nas arquibancadas, nem sempre cheias. Apesar de tudo isso, não me sai da mente a imagem do volante Fabrice Muamba (23), do Bolton, deitado de bruços, desacordado, depois de sofrer um mal súbito no gramado do estádio White Hart Lane. Ele defendia sua equipe no sábado (17) contra o Tottenham, pela Copa da Inglaterra, quando desabou, minutos antes do final do primeiro tempo. O jogo estava 1 a 1 e foi suspenso, devido ao clima de desespero que tomou conta dos jogadores e do público. Até ontem, Muamba seguia internado, em estado grave.
A imagem vai e volta à minha mente, assim como as dúvidas, os questionamentos. Depois de algumas ocorrências recentes de morte nos gramados de futebol, houve uma mobilização entre entidades desportivas e atletas. Mesmo assim, pipocam casos aqui e ali. Alguns deles na Liga Inglesa, a mais rica do mundo. Fico a me perguntar o que ocorre: Se há mais prevenção, por que ainda acontece? Se os clubes tem cuidado, haveria necessidade de os atletas se precaverem mais em suas vidas privadas?
Para quem tem formação em Educação Física e já foi preparador físico, como eu, conhecer e desenvolver o corpo humano é um desafio. Ao longo dos anos, percebe-se o aumento da carga de trabalho dos jogadores de futebol. Tudo isso para suportar a maior intensidade do jogo. A estrutura nas agremiações também leva a este caminho. Foram criados equipamentos e sistemas que levam o homem à busca de seu máximo rendimento.
Alguém vai dizer que isso ocorre em todos os esportes e que por isso são chamados de alto rendimento. Até aí tudo bem. Só que eu fico a me perguntar: não tem uma maneira de reduzirmos a zero os casos como este que acometeu Muamba? Provavelmente a resposta seja não, considerando que o corpo humano é diverso e imprevisível. Mas precisamos seguir, no mínimo, tentando.
Fonte: Artigo escrito por Celso Juarez Roth

Nenhum comentário:

Postar um comentário